O que todos os muçulmanos devem fazer

Quando Ali, em O Clone, aparece ajoelhado e sem sapatos, rezando sobre tapetes e recitando em voz baixa trechos do Alcorão, em nenhum instante ele desvia a atenção da oração. Nesse momento sagrado da vida real dos muçulmanos – e que na novela o personagem apenas encena –, é como se eles falassem diretamente com Alá.


Voltado na direção de Meca, hoje localizada na Arábia Saudita, o tio de Jade na novela – assim como todo muçulmano, onde quer que esteja – repetirá o mesmo

 

ato cinco vezes num mesmo dia: ao nascer do sol, ao meio-dia, à tarde, ao pôr-do-sol e ao anoitecer. E também às sextas-feiras, quando o imã (líder espiritual) conduzirá a oração da tarde, fazendo aconselhamentos e comentários práticos.

O costume de orar diariamente é um dos principais fundamentos do Islã. Todos os dias ele é lembrado pelo muezim, o homem que, do alto do minarete (torre) das mesquitas (casa de orações), se encarrega de chamar os adeptos do Islã para a conversa diária com Deus.

 
 Todos iguais

A oração (salât) é para o muçulmano uma obrigação expressa no Alcorão: ela reforça a unidade em torno de Alá. Também aproxima as pessoas que, ao se alinharem em fileiras nas mesquitas, sem distinção de origem ou poder aquisitivo, mas com distinção entre os sexos, tornam-se iguais perante Deus.


Os muçulmanos podem rezar onde estiverem e não só nas mesquitas, mas antes precisam obedecer às seguintes condições: fazer a purificação do corpo (ablução), orar nos horários certos, ajoelhar-se na direção de Meca e vestir-se sem nada justo ou transparente (homens cobertos pelo

 

menos da cintura aos joelhos, e mulheres todo o corpo, com exceção de rosto, mãos e pés).


 Palavras de Alá


Não há cena protagonizada pelo núcleo árabe de O Clone em que o Alcorão – “o livro” - não seja citado. O patriarca Ali, por exemplo, várias vezes por dia recita suas suratas (capítulos) – e não apenas quando está rezando.


Muitas vezes, Ali usa as palavras do livro sagrado para dizer a Jade como ela deveria se comportar em relação a seu casamento segundo a cultura islâmica. Ou, ainda, para criticar o amigo e cientista Albieri por causa de suas experiências genéticas.

 

As várias aplicações práticas do conteúdo do Alcorão estão na sua própria essência: Mais do que um livro religioso, ele é um código moral e social, que traz a visão de mundo e as leis do próprio Islã, ditadas diretamente por Alá.




 
Proteção para o alcorão
 Proteção para o Alcorão
Para preservar as palavras divinas, pequenas bolsas em couro trabalhado ou bordado são usadas para envolver o livro sagrado dos muçulmanos.
 
 Fundamentos do islã
O que todos os muçulmanos devem fazer



1º) A fé

“Não há outro deus, senão Deus!” Esta frase, repetida com a segunda parte que diz “Muhammad é o Mensageiro de Deus”, é o primeiro fundamento (ou pilar) do Islã. Conhecida como chahada, é uma frase que adorna mesquitas, palácios e residências, verdadeiro testemunho da aceitação do Deus único e seu profeta.

 
2º) As orações

Orar cinco vezes ao dia, revelando constância, é uma das provas de devoção do muçulmano. Depois de feita a purificação (ablução), as orações começam com o fiel de pé e terminam com ele ajoelhado e com a testa no chão – pronto para renascer ao mesmo tempo em que se revela pequeno diante de Deus.


3º) A caridade

Todas as coisas pertencem a Deus, logo, o homem não deve reter para si a riqueza. Dividi-la com quem não tem nada é uma das maneiras de praticar o zakat, terceiro fundamento do Islã, e que significa ao mesmo tempo

 

crescimento e purificação. Cerca de 1/40 do que possuem os muçulmanos mais abastados são destinados à caridade, aliviando sofrimentos e, em última instância, promovendo fluxo de dinheiro na sociedade.


4º) O jejum

Durante o mês sagrado do Ramadã – que muda conforme o calendário Islâmico, que é lunar -, os muçulmanos fisicamente aptos não bebem, comem ou fumam durante o dia. Apenas à noite, mas com moderação. O jejum impõe a autodisciplina, mas também estimula a compaixão por quem passa necessidades.

 
5º) A peregrinação

Em Meca, para onde quem tem posses deve ir pelo menos uma vez na vida, não há distinção entre os muçulmanos. Lá, vestidos com uma túnica simples, estão pobres e ricos, governantes e governados – todos juntos movidos apenas pela fé no Islã.

A peregrinação também estimula o intercâmbio entre muçulmanos de vários países, o que é altamente favorável para a sedimentação e propagação do Islã.


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