Técnicas poderão curar várias doenças,
mas também ameaçar a biodiversidade.

Leandro é a cópia genética de Lucas na novela O Clone. Ele foi criado em laboratório pelo cientista Albieri, sem que houvesse fecundação de um óvulo (célula sexual feminina) por um espermatozóide (célula sexual masculina). Ou seja: sem o cruzamento dos genes de um pai e de uma mãe, que é o que garante aos filhos ter características próprias e ser único na natureza.



É por essa razão que, na novela, Leandro tem os mesmos olhos, boca, mãos, dedos, enfim, o mesmo físico e o mesmo código genético de Lucas.

 

Eles só não têm a mesma idade - e experiência de vida - porque foram gerados em épocas e em ambientes diferentes.


A técnica de clonagem utilizada pelo personagem Albieri e que, na ficção, deu origem a Leandro (implantado quando ainda era embrião no útero da personagem Deusa, interpretada por Adriana Lessa), foi inspirada no procedimento que, na vida real, originou a Dolly, o primeiro clone de um ser vivo adulto.

 
 Dolly é uma cópia

O anúncio de que os cientistas haviam "produzido" uma cópia idêntica de outro animal foi feito em 1997. O veterinário Ian Wilmut, do Instituto Roslin (Edimburgo, Escócia), deu vida à ovelha Dolly fundindo o núcleo de uma célula não-sexual (retirada da mama) de uma ovelha da raça Finn Dorset ao óvulo sem núcleo de uma ovelha da raça Scottish Blackface.



De lá pra cá, uma grande polêmica envolveu o assunto. Um dos principais argumentos contra a clonagem afirma que o lançamento de uma série de seres idênticos no mundo afetaria a diversidade genética da natureza

 

(biodiversidade). Mesmo assim, as experiências continuam, e alguns cientistas já pensam até em gerar o primeiro clone humano.


A preocupação maior em torno da clonagem tem fundamento ético - e aí entra a bioética, ciência que trata dos aspectos morais, religiosos, psicológicos e filosóficos dos avanços da medicina. As perguntas mais comuns são: o homem pode criar a vida de modo artificial e assumir o lugar de Deus? A biodiversidade da natureza, fator que garante a evolução das espécies, não será prejudicada? O que fazer com os clones que nascem defeituosos? Os clones humanos terão alma? Que tipo de pressões psicológicas eles irão sofrer por parte da sociedade?

 
 Dificuldades

A clonagem hoje pode resultar em seres com problemas físicos. Dolly, por exemplo, embora tenha pouca idade, possui células "envelhecidas", da mesma idade da ovelha clonada (a que doou o núcleo da célula contendo os genes). Isso significa que, caso seres humanos venham a ser clonados, existe a possibilidade de nascerem bebês "envelhecidos". Ou seja, ainda crianças poderão apresentar doenças como reumatismo, câncer e degeneração dos neurônios, entre outras. Problemas poderão ocorrer também em decorrência de órgãos deformados, cujas funções seriam prejudicadas.

 

Isso sem mencionar que, para cada clone normal, são gerados dezenas de clones defeituosos. Até agora, a maioria dos animais duplicados nasceram grandes demais, sem alguns dos membros e com dificuldades respiratórias, deficiência renal e imunológica, bloqueio intestinal e vários outros problemas. O tamanho exagerado dos clones é também um risco para a mãe de aluguel durante o parto. E nem todos os embriões clonados sobrevivem - para fabricar a ovelha Dolly, por exemplo, das 227 células duplicadas, apenas 27 viraram embriões e desses apenas um sobreviveu.

 
 Ficção versus realidade:
Ao contrário do que acontece hoje na vida real, na novela Albieri obteve sucesso logo na primeira tentativa de clonagem.
 
 Lado positivo

É uma questão de tempo, porém, até que todas essas dificuldades sejam corrigidas - em especial na opinião de quem vê na clonagem uma esperança de vida para milhares de pessoas. Porque, afinal, a clonagem também tem seu lado positivo.



A técnica da clonagem não precisa ser aplicada apenas na produção de seres vivos (clonagem reprodutiva). Pode ser utilizada também para fabricar células e órgãos (clonagem terapêutica). A partir de células-tronco extraídas de embriões clonados (veja ilustração no final da página), os cientistas acreditam que, no futuro, poderão produzir

 

corações, rins e outros órgãos para transplantes. Podem também cultivar células sadias que assumirão as funções de células defeituosas do corpo das pessoas ou corrigi-las, levando à cura de paralisias, diabetes, cirrose, hepatite e mal de Parkinson, entre outras doenças.


A clonagem é uma caixa de surpresas e de muita polêmica. De um lado estão os que condenam a intervenção humana na ordem criada por Deus, onde se encaixam os seguidores do Islã. O argumento é que a criatura não deveria ousar tornar-se criadora. De outro lado, há quem sonhe em ver um filho amado curado de uma doença grave com o auxílio das técnicas de clonagem.



A discussão está lançada - e, agora, ampliada para boa parte da sociedade, exatamente como desejaram Glória

 

Perez e Jayme Monjadim quando escolheram tema tão polêmico e atual para a novela O Clone.
 Mãe de aluguel:
Sem saber que foi usada como cobaia, Deusa gerou o clone Leandro (Guilherme Santos, na primeira fase da novela).

 
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 Ficha técnica da novela O Clone
A equipe responsável por esta super-produção.
 Galeria de fotos
As belas imagens que embalaram esta trama.
 
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A esfera externa forma a placenta. Na esfera interna, que vai formar o bebê, estão as células-tronco. Retiradas do embrião, elas poderão ser clonadas ou cultivadas para curar doenças degenerativas e para desenvolver órgãos para transplante.
Cinco dias depois, o em-brião tem cerca de 150 células organizadas em duas esferas ocas e en-caixadas.
O espermatozóide fe-cunda o óvulo e começa a divisão celular que forma o embrião.
 Como são produzidos os órgãos: