Quando o corpo fala
 
 A dança do ventre amplia o poder de
sedução, expressa alegria e dá sorte

A magia que toma conta dos personagens de O Clone que vivem toda sedução da dança do ventre - tem tudo a ver com a energia que as sacerdotisas do antigo Egito, por volta do século V a.C., despertavam ao buscar uma maior integração com o universo nas festas em homenagem à deusa Ísis.


A dança do ventre já naquela época - dizem que surgiu no Egito, criada por um escravo africano chamado Bes em homenagem a Hathor, a deusa-mãe dos egípcios - era associada à fertilidade da Terra, que, na dança, é

 

lembrada pelos movimentos ondulantes do ventre feminino.


Isso explica por que a dança é tão associada à sedução feminina, embora seja também manifestação de alegria e boa sorte. Em O Clone, por exemplo, que retrata parte significativa dos costumes do Marrocos, uma dançarina do ventre é sempre convidada a dançar em festas de casamento, aniversário e outras comemorações. Mas nem sempre foi assim.


 
 É só sedução

Nos último sete mil anos, houve situações em que a dança do ventre viu romper o delicado fio que a mantém na fronteira entre a sedução e a pornografia, entre o sensual e o sexual.


Na época em que a dança foi confinada aos palácios e harens, as dançarinas foram divididas em duas categorias: awalim (as que se exibiam para as elites) e ghawazee (as que dançavam nas ruas e se prostituiam). Muita perseguição por motivos religiosos e políticos também marcou a história dessa dança: Napoleão, por exemplo, ao invadir o Egito no século XIX, mandou decapitar 400 dan-

 

çarinas que se apresentavam para os soldados franceses.


 Cada dança, um significado


Existem várias modalidades de dança do ventre, cada uma com um significado.


A dança da espada simboliza a abertura de caminhos e derrota de inimigos.


A do pandeiro serve para manifestar alegria, por isso é muito comum nas festas.


Já a dança da adaga ou punhal representa o sexo, a transformação e a morte.

 

A dança com snujs (címbalos de metal) serve para energizar positivamente um ambiente.


Na dos sete véus, cada um deles simboliza um portal - da beleza, amor, saúde, fertilidade, poder, magia e o domínio sobre o tempo -, que é ultrapassado à medida que a dançarina for despindo-se.



 
 Pura feminilidade

Todos os detalhes da roupa usada na dança do ventre - incluindo maquiagem e bijuterias - procuram acentuar a feminilidade da dançarina.


Tudo deve garantir a graça de seus movimentos. A roupa é geralmente semitransparente e bordada com miçangas, paetês, lantejoulas, moedas e vidrinhos.


O conjunto completo inclui bustiê, cinturão, calça ou saias - em modelos conhecidos como Fogo, Água (ou Lua Cheia), Terra e Ar.

 

Para evidenciar o contato da dançarina com a mãe-terra, é preferível que ela não use sapatos. Mas pode abusar de pulseiras, braceletes, colares, moedas e brincos. E usar lenços sobre o rosto.


Nos países islâmicos, as dançarinas não podem ficar com o corpo tão à mostra nem mostram o umbigo. Elas usam collant bordado ou cinturão com uma pedra preciosa sobre o ventre.




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Jade