Diferenças e similaridades

O Marrocos é um país árabe, mas também um país islâmico. Um termo não é sinônimo do outro. Nem devem ser confundidos, embora estejam historicamente ligados.


Quando a personagem Jade – ou a Latiffa, ambas da novela O Clone – diante de estranhos cobre os cabelos e o rosto com um véu (hijab), ou quando o tio delas, o patriarca Ali, tira os sapatos e se ajoelha para, cinco vezes ao dia, rezar voltado para Meca – a cidade sagrada do islã, localizada na Arábia Saudita, no Oriente Médio -, esses costumes revelam o dia-a-dia de uma comunidade muçulmana.

 

Ao ouvir a população marroquina – incluindo parte dos berberes do deserto – falando o idioma árabe e não apenas durante as orações, aí estão indícios claros de que se trata de um país árabe.


A diferença entre os termos árabe e muçulmano é que o primeiro geralmente se refere à língua oficial e à etnia dos habitantes de um país, enquanto o segundo é um conceito religioso.


Confundir árabes com muçulmanos, portanto, é um erro. Ainda mais porque existem árabes que não são muçulmanos e muçulmanos que não são árabes. Dois exemplos: os árabes católicos do Líbano e da Síria e os muçulmanos da Indonésia, o conjunto de ilhas localizado em pleno Oceano Índico, no sudeste da Ásia, onde vive

 

hoje a maior comunidade islâmica não-árabe do mundo, com cerca de 225 milhões de pessoas.




Jayme Monjardim

 
Jayme Monjardim (abaixado, à esquerda)  e parte da equipe fazem pose no Saara.
 Existem comunidades islâmicas não-
majoritárias, mas expressivas na Índia, China, Rússia, Israel, Estados Unidos, Reino Unido, Espanha, Alemanha, França, Holanda, e Brasil, entre outros.
 
 Origem histórica

A confusão entre árabes e muçulmanos está ligada ao surgimento do islã: tudo porque um árabe, o profeta Muhammad (Maomé), foi quem fundou a religião no século VII e também porque o Alcorâo (ou Corão), o livro sagrado dos muçulmanos, é todo escrito em árabe.


Onde quer que um muçulmano viva ou que idioma fale, é em árabe que ele deve recitar as preces alcorânicas diárias. É exatamente o que fazem na vida real os marroquinos, os egípcios, os iranianos e os indonésios. E na novela O Clone também o patriarca Ali, Abdul e os irmão Mohamed e Said.

 



A expansão do islã, que nasceu na Península Arábica, conquistou parte da Ásia e da Europa e todo o norte da África – incluindo o Marrocos -, reunindo cerca de 1,2 bilhão de fiéis em várias partes do mundo, muitos deles em países não-árabes, é um fenômeno que tem 1.400 anos de história. E deve muito ao sincretismo cultural e à miscigenação de raças entre conquistadores e conquistados.



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 Mapa – área rosa:
Países onde a população muçulmana é maioria (mais de 90%)
(1) Arábia Saudita, (2) Lêmen, (3) Emirados Árabes Unidos, (4) Catar, (5) Bahrein, (6) Iraque, (7) Síria, (8) Jordânia, (9) Turquia, (10) Irã, (11) Afeganistão, (12) Paquistão, (13) Somália, (14) Djibuti, (15) Egito, (16) Líbia, (17) Tunísia, (18) Argélia, (19) Marrocos, (20) Mauritânia, (21) Mali, (22) Senegal e (23) Gâmbia.
 Mapa – área amarela:
Países onde a população muçulmana é significativa (50 a 89%)
(A) Omã, (B) Etiópia, (C) Sudão, (D) Chade, (E) Níger, (F) Nigéria, (G) Burkina Fasso, (H) Costa do Marfim, (I) Guiné, (J) Serra Leoa, (K) Albânia, (L) Kuwait, (M) Turcomenistão, (N) Usbequistão, (O) Tadjiquistão, (P) Bangladesh, (Q) Malásia, (R) Brunei, (S) Indonésia.
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