No Islã, a família é constituída por um só marido,
que pode ter mais de uma esposa.

Na novela O Clone, Jade ama Lucas, mas é obrigada a se casar com Said. Latiffa, sua prima, até conhecer o marido Mohamed, não o amava. Ela nem sequer sabia como ele era, mas, como a maioria das mulheres muçulmanas - ao contrário de Jade, que cresceu no Brasil e perdeu parte de sua identidade -, Latiffa não questionou seu tio Ali quando ele aprovou os pretendentes e decidiu com quem as primas deveriam se casar.


A cena da novela é fictícia, mas inspirada na realidade do mundo islâmico, onde a autoridade familiar é sempre do

 

homem. A ele cabe traçar o destino de suas filhas, filhos ou agregados que tenha criado, além de ter o controle da vida de sua esposa - ou esposas, já que o Islã permite a poligamia para os homens. Tamanho controle do patriarca sobre os parentes próximos tem uma explicação: a família é a base da sociedade Islâmica. E ela só será unida e estável se os princípios islâmicos forem seguidos.




 
 Acerto Financeiro

Casar e constituir família é um desses princípios. E quanto mais numerosas, melhor. O celibato não é bem visto para as mulheres, tampouco para os homens. Ainda mais porque sendo o casamento um tipo de acerto financeiro entre duas famílias, o solteiro, com o tempo, pode vir a enfrentar dificuldades monetárias.


Uma vez que o sustento da família é de responsabilidade do homem, se ele for rico o suficiente poderá ter até quatro esposas. É o caso do personagem Ali, em O Clone.

 
 Poligamia

A possibilidade de os homens terem mais de uma esposa está prevista no Alcorão. A exigência mínima para que isso aconteça é o tratamento igual para todas: se uma delas recebe um presente do marido, ele deverá conceder às demais o mesmo agrado, ou outro de igual valor.


A poligamia, portanto, é um símbolo de status. A origem deste costume tem fundamento histórico, da época em que o profeta Muhammad ainda vivia e o Islã lutava para se impor: muitos homens morreram durante as batalhas entre os habitantes de Meca e os de Yatrib (cidade que mais

 

tarde recebeu o nome de Medina, que significa "cidade do profeta"), deixando várias famílias desestabilizadas. Foi quando o profeta recomendou o casamento com até quatro mulheres, desde que todas elas e seus respectivos filhos - que devem morar sob o mesmo teto ou em casa próximas - fossem tratados bem e com total igualdade.

Em O Clone, o personagem Ali possui quatro esposas
 
 O desejo sob controle

Quando o assunto é sexo, o Islã é bem claro e muito rígido. A virgindade é considerada uma virtude e requisito indispensável para o casamento, e vale tanto para a mulher quanto para o homem - desde que seja o primeiro casamento dele.


É para evitar as tentações do desejo que a lei islâmica impõe uma série de proibições. A partir da puberdade, as mulheres devem ocultar seus encantos; não devem sair desacompanhadas; homens e mulheres não ficam sozinhos em um mesmo ambiente e tampouco se tocam.

 

A virgindade da noiva é um assunto familiar e social: isso explica o costume de expor pelas ruas o lençol manchado com o sangue do hímen rompido na noite de núpcias - exatamente como foi demonstrado em cena de O Clone. Caso ela não seja mais virgem, o marido a devolve e pega de volta o dote, os presentes são devolvidos e a mulher cai em desgraça pública.


O adultério também é seriamente punido com a morte pelo apedrejamento - embora, dependendo do grau de democratização da sociedade, sobre essa punição hoje prevaleça a misericórdia, que é outro preceito islâmico.

 
 Beleza Oculta

A partir da puberdade, não existem desculpa: todas as mulheres devem esconder seu corpo, que só é revelado ao marido. Nem mesmo a prática de esportes como o futebol, uma paixão das mulheres marroquinas, é capaz de libertá-las do uso do hijad (véu) e das roupas longas. Por isso, a personagem Latiffa, em O Clone, surge jogando bola totalmente coberta, por mais que a roupa atrapalhe seus movimentos.


O uso do hijad - e da burka, a roupa que não deixa sequer os olhos de fora e é considerada uma radicalização - é para os muçulmanos um sinal de que a mulher não está

 

interessada em investidas sexuais. O excesso de pano serve para brecar o assédio dos homens. Eles acreditam que, cobertas, as mulheres são valorizadas mais pelas suas qualidades morais e intelectuais do que pela sua beleza e juventude.

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