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| Dirigir
O Clone foi como reger uma orquestra, |
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| diz Jayme Monjardim |
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Apenas cinco meses. Esse foi o tempo exato
para que o O Clone saísse do papel para as telas.
Assim que o Marrocos foi escolhido como o cenário ideal
para o encontro de Jade e Lucas e para o cotidiano da família
de Ali, da empregada Zoraide (Jandira Martini), de Abdul (Sebastião
Vasconcelos) e seus sobrinhos Mohamed (Antonio Calloni), Said
(Dalton Vigh) e Nazira (Eliane Giardini), uma grande mobilização
tomou conta da equipe.
O primeiro desafio, para o diretor Jayme Monjardim, foi encontrar
o tom certo para a novela.
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O Marrocos é um país
de tom vermelho-alaranjado, cor que está nos tapetes
e nos tecidos, nas especiarias e no pôr-do-sol no deserto.
Também é a cor que melhor traduz a maneira de
ser dos marroquinos, um povo alegre, muito receptivo e hospitaleiro,
explica ele.
Como levar essa cor para O Clone passou a nortear toda
a preparação da novela: do figurino ao cenário,
da interpretação à fotografia, dos diálogos
à trilha sonora, da arte à iluminação.
Eu e os outros diretores (Marcos Schechtman, Teresa
Lampreia e Mário Bandarra) trabalhamos para encontrar
o ponto exato deste equilíbrio: afinar tudo e todos,
como se regêssemos uma orquestra, compara Monjardim.
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Para que os atores entrassem na pele de seus
personagens, não bastava apenas que usassem roupas
típicas ou soubessem de cor os textos. Para assumir
a personalidade de Jade, a Giovanna precisava saber como vivem
as muçulmanas, mas sobretudo sentir-se uma delas nas
filmagens. O mesmo aconteceu com os outros atores. Cores,
luz, móveis, som, ambiente, tudo foi providenciado
para ajudá-los a vestir seus personagens, acrescenta.
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| Sob
o calor de 53ºC |
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Jayme
Monjardim (abaixado, à esquerda)
e parte da equipe fazem pose no Saara. |
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| Experiência
única |
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Em seguida, uma parte da equipe visitou clínicas
de inseminação artificial e conversou com geneticistas,
enquanto diretores, parte do elenco, cenógrafos, maquiadores,
produtores e vários técnicos também foram
para o Marrocos, onde ficaram 40 dias, levando 900 quilos
em câmeras, vídeos e captadores de som.
Foi uma experiência única para nós.
Filmamos no deserto do Saara, sob um calor de 53ºC; mobilizamos
uma caravana com 25 dromedários e 12 homens do deserto;
transformamos lojas de Fez em camarins e salas de corte; filmamos
até dez cenas por dia.
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E sempre com o cuidado de não interferir
na vida dos marroquinos. Não podíamos parar
uma cidade, ressalta Monjardim.
Pelas ruas e casas marroquinas, tudo foi motivo de surpresa
para a equipe: muçulmanas de túnicas longas
(djellaba) e rosto coberto, que falam com os olhos;
maravilhosas mesquitas (casa de orações), onde
só podem entrar muçulmanos; o chamado para as
orações; fontes com pétalas de rosa;
cabeças de cabra expostas nos mercados; os camelos
do deserto; o costume do povo de propor trocas; a dança
do ventre, que nas festas de casamento acende o desejo do
casal; a paixão das mulheres pelo futebol.
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| Cobra
venenosa |
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Imprevistos também marcaram a viagem:
câmeras paravam de funcionar por causa do calor, solas
de sapato descolavam em contato com o chão quente.
Até uma cobra venenosa apareceu perto da tenda nômade
usada para as cenas de amor de Jade e Lucas.
De volta ao Rio de Janeiro, aos estúdios da Rede Globo
no bairro de Jacarepaguá, a correria continuou. Uma
cópia da cidade de Fez, onde circulam 50 figurantes
por cena, foi montada pelos cenógrafos. Também
foram construídos cenários para o bairro de
São Cristóvão, onde moram os personagens
Mohamed e Latiffa, para a casa de Lucas e
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Maysa e a clínia de Albieri, onde
foi criado o clone.
A orquestração do diretor Jayme Monjardim em
O Clone incluiu ainda os efeitos especiais para que
Lucas, Diogo e Leandro (todos interpretados por Murilo Benício)
surgissem juntos nas cenas, e a pós-produção
das imagens do Rio de Janeiro.
Tudo isso fez de O Clone uma sinfonia especial para todos.
Sou muito feliz neste momento. Esta novela é,
para minha vida e carreira, um filho maduro, diz Monjardim.
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